Jovens participam de atividade de troca de conhecimentos agrícolas e geracionais em Roraima, Brasil
Jovens participam de atividade de troca de conhecimentos agrícolas e geracionais em Roraima, Brasil. | Crédito: CIR

Novos espaços para mulheres e jovens defenderem seus direitos territoriais

By Luana Luizy

O projeto da USAID de Capacitação de Organizações Indígenas na Amazônia (SCIOA) reuniu as três organizações indígenas da Amazônia brasileira que receberam apoio nos últimos quatro anos para celebrar o final do projeto em março de 2023. Os implementadores — Pact e o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) — aproveitaram a oportunidade para refletir sobre suas realizações e sobre os desafios associados ao aumento do impacto político da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (OPIAM), da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB) e do Conselho Indígena de Roraima (CIR). O SCIOA trabalhou para fortalecer cada uma dessas organizações, oferecendo novos espaços para mulheres e jovens participarem da tomada de decisões; desenvolvendo habilidades para defender seus direitos e promover a representação indígena; e preservando conhecimentos e práticas tradicionais que ajudarão a construir um futuro sustentável e equitativo. 

Apesar de suas diferentes perspectivas, culturas e abordagens, essas três organizações e as comunidades que elas representam compartilham um relacionamento profundo com a natureza e enfrentam ameaças semelhantes que afetam seu modo de vida, como, por exemplo, o aumento do desmatamento e os impactos das mudanças climáticas. O primeiro encontro promovido no âmbito do SCIOA ocorreu em Lima em 2019. Sara Gaia, coordenadora adjunta do Programa dos Povos Indígenas do IEB, explica: "Apesar da complexidade do cenário político brasileiro nos últimos anos, inclusive em meio aos efeitos da pandemia de covid-19, os movimentos indígenas no Brasil têm demonstrado uma enorme resistência. Eles conseguiram incorporar as metodologias do projeto a seu dia a dia com muita criatividade e resiliência.” 

Os jovens indígenas são fundamentais para a construção de meios de subsistência sustentáveis e atuam como uma poderosa força de mudança na região. O SCIOA apoiou no projeto do roçado da juventude indígena como forma de promover a autonomia e o empoderamento das comunidades indígenas. 

Raquel Wapichana, coordenadora do Grupo de Jovens do CIR, afirma: “Jovens que cuidam das roças para ajudar seus pais e avós têm despertado o interesse de outros jovens, que vêm se unindo a esse trabalho tradicional. Ela também destacou que: “SCIOA avançou muito em nosso trabalho em termos de participação dos jovens e sustentabilidade administrativa, e também nos apoiou com o resgate de sementes tradicionais da fazenda dos jovens”.

Outro grupo frequentemente afastado da tomada de decisões é o das mulheres indígenas, que se destacam por sua defesa da cultura e do meio ambiente do Brasil. Elas têm assumido um papel cada vez mais relevante em suas comunidades, capitaneando as lutas por seus direitos e representação. Ademais, são agentes importantes para a preservação e transmissão de saberes e práticas tradicionais indígenas. Um número recorde de mulheres indígenas concorreu a cargos públicos nas eleições de 2022 no Brasil.

O SCIOA incentivou a liderança entre esses grupos sub-representados em todas as três organizações. “Podemos dizer com confiança que todas as organizações mantiveram o foco na capacitação de mulheres e jovens indígenas”, diz Gaia. “Novos espaços de participação se abriram, o que é fruto do maior amadurecimento político destas organizações, mas também das condições facilitadoras que o SCIOA criou para fortalecer estas áreas específicas.”

Para a UMIAB, isso foi feito por meio da conexão de mulheres em espaços virtuais e da facilitação de um processo para as mulheres abordarem e combaterem a violência de gênero. Mulheres representantes de nove regiões indígenas da Amazônia brasileira participaram de audiências que utilizaram metodologias de escuta sensível para compartilhar suas experiências num espaço seguro. 

“É muito importante que nós, mulheres indígenas, nos fortaleçamos, para que possamos chegar a nossas comunidades de base”, afirma Edna Shanenawa, vice-coordenadora geral da UMIAB. 

Atuando na região brasileira do Madeira e representando oito povos indígenas diferentes, a OPIAM, com o apoio da USAID, ganhou destaque na luta indígena do sul da Amazônia. “Por meio do projeto SCIOA, estamos ampliando nossas capacidades na região do Madeira, incluindo gestão de projetos, comunicação, mobilização e articulação para a defesa dos direitos indígenas”, afirma Nilcélio Rodrigues Ramos, coordenador executivo da OPIAM do povo Jiahui. O SCIOA apoiou a criação de um Departamento de Mulheres dentro da organização, que se reuniu pela primeira vez em 2022 com 50 participantes. A USAID também apoiou delegações da UMIAB e da OPIAM para que pudessem participar da Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília em janeiro de 2023, cujo tema da marcha foi "Vozes da Ancestralidade dos seis biomas do Brasil”.

Representantes de todas as três organizações comemoraram suas realizações no evento de encerramento do projeto na cidade de Boa Vista e exploraram ações futuras para fortalecer e expandir seu impacto político, o que é vital para a sustentabilidade de seu modo de vida.


A tradução em inglês está disponível.

Country
Brazil, Peru
Strategic Objective
Integration
Topics
Climate Risk Management, Forest/Forestry, Gender and Social Inclusion, Indigenous, Indigenous Peoples and Local Communities, Resilience
Region
Latin America & Caribbean

Luana Luizy

Luana Luizy is a communications advisor for IEB’s Indigenous Peoples.

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