Man standing in forest looking at vinagreira plant
Bruno Kato tends to a vinagreira plant, a Brazilian variety of hibiscus. | Credit: USAID

Superalimentos para uma superfloresta

Como a USAID ajuda empresas locais a florescer enquanto restaura a floresta amazônica
By Joey DeMarco

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Bruno Kato é um empresário. Logo, ele entende muito bem o valor de uma floresta saudável — para o planeta, para a comunidade e para sua empresa. Bruno é o CEO da Horta da Terra, uma empresa que produz superalimentos liofilizados como açaí, chicória e hibisco, ao mesmo tempo que ajuda a restaurar a floresta amazônica no estado do Pará, no Brasil.

Mais de 40% do desmatamento na Amazônia brasileira ocorreu no Pará, em grande parte impulsionado pela pecuária e pela agricultura. A pecuária insustentável tem um impacto duplo sobre o desmatamento, já que os fazendeiros derrubam árvores para pastagens e — após alguns anos de uso intensivo desses pastos — abandonam a terra degradada em busca de novas florestas que, uma vez desmatadas, oferecerão pastagens mais verdes.

Os impactos do desmatamento vão muito além dos limites de cada fazenda. A floresta amazônica abriga milhares de espécies únicas, serve como um importante sumidouro de carbono e regula os padrões pluviométricos e climáticos de toda a América do Sul e de várias outras regiões. Um estudo inovador constatou que, se for mantido o ritmo atual de desmatamento na Amazônia, as montanhas da Serra Nevada — que irrigam os vales agrícolas da Califórnia — perderiam metade de sua cobertura de neve.

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Ariel view of skinny dirt path through forest with people walking along it
The Horta da Terra farming area as the surrounding forest closes in.

Bruno quer mudar essa situação. Em 2009, ele adquiriu um antigo pasto degradado de 91 acres com a ideia de implementar um modelo de produção mais sustentável na região. Nos anos seguintes, deixou que partes dessa terra se recuperassem naturalmente. Começou, então, a integrar fileiras de árvores e plantas produtoras de superalimentos altamente valiosos paralelamente à cobertura florestal natural.

À medida que a floresta circundante fica mais saudável, o mesmo acontece com sua área produtiva. Um ecossistema forte ajuda a promover uma agricultura mais resiliente e resistente a pragas, ervas daninhas e secas ao longo do tempo — em forte contraste com os empreendimentos pecuários abandonados e superexplorados a seu redor. Diversas espécies selvagens — como macacos, preguiças e até uma onça — já começaram a aparecer nas terras do Bruno.

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Man in straw hat kneeling next to cariru plant
An Horta employee tends to the vitamin-rich cariru plant, also known as waterleaf.

Naturalmente, a manutenção desse modelo depende de sua rentabilidade. É por isso que a USAID, a Impact Earth e a Aliança entre a Bioversity International e o Centro Internacional para Agricultura Tropical lançaram, em conjunto, o Fundo para a Biodiversidade da Amazônia (ABF), que investe em empresas e negócios sustentáveis na Amazônia brasileira.

O Fundo para a Biodiversidade da Amazônia já arrecadou US$ 50 milhões e investiu em cinco empresas até o momento, incluindo a Horta da Terra, em 2021. Segundo Bruno, o financiamento foi fundamental para tornar seu produto economicamente viável.

Depois da ABF, outros investidores começaram a chegar. Agora, todo mundo quer investir. É como na vida amorosa: quando você está solteiro, ninguém te quer — mas assim que começa um relacionamento, de repente todo mundo fica interessado!

Bruno Kato

Em parte devido a esse investimento, a empresa começou a expandir suas vendas, alcançando mercados internacionais, como os EUA. À medida que o mercado de superalimentos sustentáveis e orgânicos continua a crescer, Bruno começou a adquirir produtos adicionais de outros pequenos agricultores locais cultivados sob a cobertura florestal.

A USAID, o Centro Internacional de Agricultura Tropical e o ABF continuaram a trabalhar com o Bruno para monitorar a saúde de sua floresta e de sua fazenda e conectá-lo com potenciais investidores.

Uma análise recente constatou que, anualmente, as terras do Bruno armazenam cerca de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente — o que corresponde a evitar as emissões de mais de 2 mil automóveis durante um ano — e abrigam uma diversidade de insetos muito maior que as terras vizinhas.

Ao demonstrar com clareza que o trabalho do Bruno está ajudando a recuperar a floresta, o projeto também ajuda a elevar os padrões para que outras empresas demonstrem responsabilidade por seus próprios compromissos de desmatamento zero ou de sustentabilidade.

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Man kneeling in forest looking at test tube of soil
Measuring a soil sample from Bruno’s land, which researchers at the International Center for Tropical Agriculture will use to help analyze the health of the forest.

Este é um exemplo claro de uma nova visão para a Amazônia, em que negócios ambientalmente sustentáveis proporcionam empregos e, ao mesmo tempo, restauram e protegem a floresta. Em toda a região amazônica, as atividades da USAID ajudam anualmente a conservar mais de 45 milhões de hectares, uma área florestal maior que a Califórnia, e mais de 100 mil pessoas obtêm benefícios socioeconômicos diretos dessas parcerias.

À medida que a Horta da Terra crescer, Bruno espera que seu sucesso demonstre a importância de restaurar a natureza — tanto para gerar oportunidades econômicas no curto prazo quanto para destacar o valor inestimável de um planeta saudável no longo prazo.

A equação econômica que temos não funciona sem a natureza. Espero que nosso exemplo possa servir de inspiração para outras pessoas.

Bruno Kato

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Man looking at camera and holding a small envelope of prepackaged food
Bruno with a box of Horta da Terra products at the company’s warehouse in Belem, Brazil.
Country
Brazil
Strategic Objective
Mitigation
Topics
Agriculture, Biodiversity Conservation, Deforestation and Commodity Production, Food Security, Forest/Forestry, Indigenous Peoples and Local Communities, Mitigation, Nature-based Solutions, Natural Climate Solutions
Region
Latin America & Caribbean

Joey DeMarco

Communications Advisor in USAID’s Bureau for Resilience, Environment, and Food Security.

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